Live: o novo jeito de fazer cultura, mas e para todos?

Por Fábio Coêlho

A média de visualizações durante a live da dupla Jorge e Mateus no sábado – 04/04 ­– foi de 1,3 milhão de telas do You Tube abertas simultaneamente durante todo o espetáculo e um total, ate hoje, de quase 38 milhões de visualizações, do show que passou das quatro horas de duração e um repertório de mais de 60 músicas.

Essa foi uma das live que eu resolvi assistir, a primeira da cena nacional, pela afinidade com a dupla, que acompanho desde o início da carreira e isso me trouxe uma reflexão sobre esse momento de transição que todo o mundo passa, com a necessidade do afastamento e a “nova” relação com a internet, sendo ela, a maior aliada para manter as relações sociais, tão necessárias para a vida humana.

E é sobre essa nova dinâmica nas relações sociais, que somos forçados a implantar, que talvez devamos refletir.

Vemos uma gama de oportunidades para a difusão da cultura sem fronteiras, afinal a tal da internet permite o trânsito dos conteúdos culturais de uma forma, vamos dizer que “livre” e o alcance da cultura de um povo ultrapassa as fronteiras imaginárias, impostas pela divisão territorial, seja entre estados, países ou continentes.

Além de Jorge e Mateus, Gusttavo Lima, Marília Mendonça e outros famosos que estão fazendo suas lives com o patrocínio de grandes marcas, afinal 1,3 milhão de pessoas vendo sua marca durante mais de 4 horas é interessante, existem diversos artistas iniciando um processo de aprendizado com a nova ferramenta.

Na cena nacional é consideravelmente mais fácil desenvolver um projeto online em tão pouco tempo, pois como já citei, existem patrocinadores e por trás disso um capital que permite uma produção mais requintada.

O que vemos na cena local é um bocado de guerreiros e guerreiras batalhando muito, para de forma orgânica, continuar o seu trabalho e assim garantir, ao menos, o pão de cada dia.

Produção? O sofá de casa com microfone e pedestal. Patrocínio? Dos amigos mais próximos, que se dispõem a assistir e divulgar o evento online nas suas redes. E qual a diferença entre a produção nacional e a local? Em qualidade de interpretação nenhuma, mas em igualdade de oportunidades a diferença é gritante.

O poder do capital na internet é fator importante, como nas produções nos palcos físicos, mas na internet, é possível que o artista local consiga, talvez, uma melhor oportunidade de difundir sua arte. Mas para isso é preciso compreender a nova dinâmica, que tende a surgir com o isolamento social e a internet, e trabalhar para se inserir na nova cena.

O caminho? Não é função aqui indicar, mas posso encerrar essa breve reflexão dizendo que temos uma gama de oportunidades e aprender a lidar com a internet e estar presente de forma profissional, não mais amadora, pode garantir o consumo da arte pela sociedade, cada vez mais conectada, e a difusão das culturas locais oportunizando um troca, que leva à consciência sobre a diversidade e a pluralidade e assim uma visão e atuação fraterna no meio social.