Qual é a tua obra... 

Por Fábio Coêlho

Sim, vou falar, ou melhor, me inspirar, no livro “Qual é a tua obra?”, de Mario Sergio Cortella, que eu venho lendo parte a parte, com muito custo, nos últimos dois meses. E hoje, depois umas duas semanas sem ler, decidi continuar a leitura e uma reflexão veio à mente, ao refletir sobre projetos, que nascem em prol de um bem maior. Talvez visando, sim, algum lucro, mas para a subsistência, manutenção de um conceito, chamado trabalho coletivo. 

lideranca democratica o que e e quais os seus beneficios 1280x640Quando todos fazem juntos é bem melhor | Foto: Divulgação internet

Mas antes disto, quero trazer o que Cortella diz na página 66, da edição 24, do seu livro, quando em uma referência aos membros de uma orquestra, menciona o spalla, primeiro violino, e o címbalo, o que toca os pratos, muitas vezes, apenas por uma ou duas vezes durante a apresentação, referenciando a importância do líder saber valorizar cada membro da “sua orquestra”, veja o que diz Cortella: 

“O tocador de címbalos precisa ter clareza que não foi lá só para bater os pratos três vezes, mas, sim, de que estava compondo uma obra coletiva. O Ocidente acabou acreditando nesse conto e colocou as pessoas como insignificantes tocadoras de címbalos, em vez de executoras de uma grande obra, na qual um toca címbalos, o outro violino e, o outro, fagote. E a nossa sociedade tem muito mais tocadores de címbalos, do que spalla de uma orquestra. Eu, tocador de címbalos, quero me entender como membro respeitável de uma orquestra: isso é essencial”.

Eu, enquanto tocador de címbalos, me sinto essencial em um projeto, e por isso participo, se não, para que participar? Só posso me sentir bem, realizado, se eu me sentir essencial. Por isso é importante trazer a reflexão da importância do trabalho coletivo, e pela coletividade. Estamos entrando em uma era em que não deve haver o que manda, o que obedece. 

O dinheiro, ele é importante na vida, mas como disse Cortella, no mesmo livro, ele não é essencial, pois essencial, de verdade, é a possibilidade de sorrir, de sentir o que a vida tem de melhor a oferecer e para isso é preciso ter espaço para uma série de coisas, como o ócio criativo, o lazer, a caminhada na praia, o trabalho, sim! O trabalho! Ele é fundamental. É pelo trabalho que ganhamos o dinheiro, que oportuniza a tão sonhada qualidade de vida. 

Mas o dinheiro sozinho, não, absolutamente não! Ele não proporciona uma vida feliz. Por isso escrevo esta breve reflexão. Será que o trabalho coletivo, em prol de um bem comum, aonde todos saem ganhando, aonde todos são reconhecidos e com méritos pelo trabalho desempenhado não só na apresentação “de uma orquestra”, mas no planejamento, nos bastidores, no antes, no depois, enfim, existe um monte de mãos envolvidas, e todas, absolutamente todas, precisam ser reconhecidas, pois sem duas destas mãos, somente duas, todo o projeto pode sofrer.  

Que busquemos aprender sobre o valor do outro, o valor das obras coletivas, o valor e a importância individual, mas sem nunca esquecer o valor e a importância, individual, que outro também tem.