A música nossa de cada dia

Por Cecília Santos

Quando comecei o home-office a coisa que mais me deixou empolgada com essa nova fase era a possibilidade de trabalhar escutando música o tempo inteiro. Eu tinha aquela expectativa hollywoodiana de que acordaria cedo, tomaria café ouvindo jazz e o dia ia começar mais criativo.

WhatsApp Image 2019 09 19 at 23.37.49 1Sempre fui aquele tipo de pessoa que, mesmo em uma redação barulhenta, enfiava um dos lados do fone no ouvido e tentava escutar algo enquanto digitava. Era impossível, claro. Nesses ambientes as pessoas gritam pra você ou com você o tempo todo, o telefone toca e alguém quer uma informação urgente, o chefe te chama e faz cara feia quando você não escuta e percebe que, na verdade, está cantarolando. Nunca funcionou. Por mais que eu tentasse.

Dois anos depois de instalada em meu escritório particular, cá estou eu, em uma correria louca que muitas vezes não me permite comer mais do que uma banana de manhã, mas sempre com uma caixinha de som do lado. E é libertador.

A música que começo o dia escutando geralmente dá o tom de todo o resto. Coloco disco music para produzir e me divertir, rock pra quando as coisas estão atrasadas e não dá pra perder prazos, Caetano pra quando eu cumpro a lista de afazeres e dá pra criar com tempo.

Se a vida é feita de sonhos esse posso riscar este da minha lista. Tá cumprido. Executado.

Veja bem, eu sou fã desde que nasci. Filha de músico amador, fui agraciada com essa genética e cresci numa casa super musical. Toda memória da minha vida ou sempre que você me ouvir contando uma história, vou creditar o que ouvia na época.

MPB, rock progressivo (culpa de papai) e música clássica na infância. Hanson na pré-adolescência (não me julguem!), grunge e muuuitooo Nirvana na adolescência, indie na juventude e segue-se sem fim. Impossível não escutar o ‘Californication’ do Red Hot Chilli Peppers e não lembrar do verão de 2000. Assim como não vir na cabeça imediatamente as festinhas ao som do 'Is This It' do Strokes. Ressalto que, na época, a gente escutava um disco inteiro na pista.

Tudo tem trilha sonora pra mim. Se vou hidratar o cabelo, limpar a casa ou ir ao supermercado preciso de música. Sou a rainha das playlists. Virei DJ e hoje posso dizer que toco apenas pra ouvir as músicas que gosto saindo dos alto falantes gigantes das casas noturnas.

Meus filmes favoritos estão todos ligados as músicas da soundtrack. Difícil me ligar em alguma produção cinematográfica que não tenha uma excelente trilha sonora.

Bem, todo esse textão (tá grande né?) é só pra dizer que a partir de hoje ocupo esse espaço (com muito orgulho!) pra falar de música. E também pra falar de tudo que tá ligado a música. O que quer dizer um punhado de outras coisas que tão ligadas e conectadas a ela. Ou seja, posso aparecer aqui falando de cinema, literatura, moda e artes plásticas e até da minha so-called life. Porque minha vida é isso também.

É essa caixinha de som pulando aqui do meu lado tocando 'American Girl' do Tom Petty and the Heartbreakers de um álbum homônimo de 1976 que voltei a escutar muito esses dias por causa de um shuffle louco do Spotify. Tem coisa melhor do que isso? Dar sorte no shuffle? Pior que tem. Esse solinho que começa no finzinho dessa mesma música. Faz tudo valer a pena. Agora deixa eu levantar e dançar porque a vida é isso também.

Daqui uns dias eu volto. Espero vocês aqui!