CARNAVAL EM PALMAS: Eu pulo, tu pulas, ele pula

Por Cecília Santos

Como filha de pai e mãe carnavalescos sempre fui metida a aproveitar esse feriado. Sei que ainda estamos em janeiro, mas como esse mês não acaba nunca mais tá permitido fazer o esquenta da folia desde já. Agora. Bora.

ceci 2Mineira que sou, comecei minha vida nos carnavais de clube. Marchinhas, confetes e serpentinas. Minhas primeiras memórias da festa incluem meu tio me levantando no ar e mandando apontar os dedos pra cima, pra cinco minutos depois ser queimada de cigarro por um desconhecido que também devia estar empolgado e não percebeu uma criança de cinco anos por ali.

Sem traumas, porém. Segui em frente pulando Carnaval durante toda a vida. Teve época de bloquinho, axé clássico, de pinga na rua, teve muita fantasia, algumas ressacas, frustrações, dancinhas desajeitadas, coreografias ensaiadíssimas, mas sempre muita animação.

Nesse 2020 acordei já no dia primeiro do ano pensando em fevereiro. O que no fim deu certo, porque, graças a Deusa, o que não tá faltando é movimentação pra rolar Carnaval em Palmas. Vibes meus amigos, vibes. 

Tem grito, pré-festa, esquenta, pré-Carnaval, ensaio de Carnaval, Carnaval do amor, Carnaval de Taquaruçu, Carnaval. Eu sigo aqui amando cada notícia de festa que surge por ai. 

Será como gostaríamos? Ainda não dá pra saber. As coisas estão se ajeitando e parabéns pra quem tá ajudando a organizar e fazendo esforço pra rolar. As coisas começam assim mesmo. Tradições precisam de tempo e Do it yourself é o lema pra tatuar na testa. Tem que fazer, de um jeito ou de outro.  

Pra mim, mais do que termos uma programação, acho foda e importante termos eventos executados com sucesso, que estabeleçam de uma vez POR TODAS que a festa na rua, ocupando os espaços públicos é necessária, pra ontem. É importante constituir documento com firma reconhecida em cartório que diga: ESSA CIDADE É NOSSA. 

Eventos populares, bem sucedidos, só ajudam a reforçam a ideia do quão o sentimento de querer linkar Carnaval a confusão ou baderna é ultrapassado, mesquinho e conservador.

E municípios em que a administração pública entendeu isso como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e até Goiânia, tão aí pra provar que o Carnaval é cultura, povo, resistência e arte.

É gente compondo marchinha, samba enredo, criando fantasias, adereços, acessórios, vendendo maquiagem, criando glitter orgânico, comida e bebida pra quem tá na folia, movimentando a economia, o comércio formal e informal, os artistas, a cena, tirando as pessoas de casa, fazendo gente se conhecer, se beijar e dançar até doer o pé. Não tem como ser ruim. 

É bom demais ver esse clima todo por aqui. É gostoso ver todo mundo empolgado pra curtir juntos, pra pular feliz, pra jogar a mãozinha pro alto e bater na palma da mão. 

Eu já to contando os minutos, tirando tudo do guarda-roupa, pensando nas fantasias, fazendo playlists pra aquecer, preparando minhas perninhas pra aproveitar. Tá meio impossível não se animar com tudo que tá rolando. 

E vintage que sou, parafraseio uma das minhas canções favoritas de Carnaval, porque afinal, esta é uma coluna de música, então vou terminar com isso. Como já canta o Timbalada: 'Com dinheiro ou sem dinheiro/ Feve vereiro eu sou... fevereiro eu vou...'