Música pra ouvir começo ao fim e feliz 2020

Por Cecília Santos

Quando você dá play na primeira faixa do penúltimo disco do Vampire Weekend ‘Modern Vampires of the City’ você já começa ouvindo o vocalista Ezra Koenig cantando imediatamente o primeiro verso de Obvious Bicycle, ‘Morning's come you watch the red sun rise...’ e é isso, você já tá entregue. Amor à primeira ouvida.

Sempre fui intrigada com a ideia de como as bandas e artistas escolhem a ordem das canções dos seus discos. O que faz a primeira faixa ser a primeira? Há uma ordem crescente, descrente, flutuante? Como o álbum é estruturado? Há ali alguma música que é pra gente não dar muita atenção?

Perguntas para as quais não tenho resposta alguma. Mas, mesmo sem saber como funciona para quem cria, eu sei bem o que funciona pra mim.

Eu gosto de discos que começam fortes. Não acho que o álbum deva ser iniciado necessariamente com os singles que já foram lançados anteriormente, mas sou da opinião que quanto mais catchy esse setlist fixo do disco for, melhor. As cinco primeiras músicas precisam ser imbatíveis. Se não, a gente desiste muito fácil.

Gosto da ideia de discos que funcionam como conceito, que apesar das faixas terem vida própria, quando você senta pra escutar ele faz muito sentido como uma grande história que tá sendo contada.

Nesses últimos dois meses do ano eu viajei pra caralho. E como viajei sozinha pude ouvir muita música o tempo todo. No avião, metro, ônibus, trem, nos passeios a pé, nos dias de frio ou calor. Foram discos antigos e clássicos, mas também álbuns ou singles mais fresquinhos.

Por isso, sem cair no clichê de fazer aqui uma listinha de melhores do ano (porque a pedidos vou fazer um compilado de melhores da década), eu indico pra vocês o disco que, pra mim (sim! Porque essa coluna é minha!), melhor conseguiu se formatar em álbum como conceito único nesse ano que passou, com uma canção melhor do que a outra.

O novinho ‘Fine Line’ do inglês super talentoso Harry Styles é a perfeição transformada em álbum. Doze musiquinhas, pouco mais de 45 minutos pra você ouvir de uma só vez. Com uma faixa funcionando muito bem no fluir do disco, ‘Fine Line’ ganhou meu coração no fim desse 2019.

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Segundo trabalho do músico, que sim, saiu de uma das mais bem sucedidas boy bands do planeta pra fazer carreira solo é não apenas todo perfeito em sua formatação, mas empolga quem escuta faixa após faixa e faz muito sentido como conceito, não só melodicamente, mas quando você pensa nas letras que destroem coração e contam a história do fim do relacionamento de Harry com a modelo Camille Rowe. ‘Fine Line’ chegou meio tarde mais entrou fácil nas listinhas de melhores do ano.

De músicas pra rasgar a garganta cantando, baladinhas pra dar uma choradinha de leve (ou não, dependendo de como tá seu coração) e canções pra dançar, o segundo disco de Styles é minha recomendação pro seu começo de ano.

E se você ainda tá ai, com preconceito porque ele é um ex-One Direction, se liga porque além de excelente letrista, até de novo David Bowie ele já foi chamado pelos críticos. OU SEJA...

E já que é pra ir de indicação eu termino essa coluna com uma que recebi bem ontem. Eu que to totalmente em clima de verão (férias!), recebi a dica pra ouvir a banda paulista Bumbo Caixa e já matei o disco deles umas dez vezes de lá pra cá. Obrigada Danieeeeelll! ❤

Lançado em 2019, o álbum ‘Use suas Pernas’, projeto de DW Ribatski, que existe desde 2011, é MARAVILHOSO e é um disquinho que se encaixa bem na proposta de se escutar do começo ao fim, sem parar, sem pular de faixa, sem pensar, dando aquela dançadinha.

Gravado com a colaboração de amigos o álbum tem um monte de gente legal na ficha técnica, Dinho Almeida do Boogarins canta minha já favorita ‘Vitamina’, tem o Tché Vogelaar do Holger e Kiko Dinucci do fodao Metá Metá. O play é inevitável. Podem agradecer depois.

Enquanto isso, eu, que novamente já escrevi demais, vou ali colocar meu biquíni e pegar uma prainha. Trilha sonora pra isso eu já tenho demais. Feliz 2020!