Playlist pra França: Temos

Por Cecília Santos

Cecilia coluna musicaEssa semana eu passei um dia em Paris. Chique né? Na verdade foram só algumas horinhas, mas deu pra aproveitar bem a cidade, andar pra caramba, conhecer dois museus, sentar no Jardim de Tullieres, almoçar em um jardim lindo olhando as esculturas do Rodin, ver uns Van Gogh e tomar um solzinho de outono bem tímido na cara.

Doida que sou é claro, óbvio e contundente que além de me preparar para dar uma volta na cidade, baixando mapas, carregando o celular com pacote de dados e preparando as roupas de frio, eu também imaginei que minha passagem pela França merecia uma trilha sonora excepcional. Tão excepcional quanto essa cidade que fui conhecer.

Baixei alguns discos que achei que combinavam com o passeio, carreguei meu fone wireless e segui andando pela ruas. Não parece sensato pra mim viver uma ocasião dessa sem uma playlist tocando no fundo. Que tipo de pessoa faria uma coisa dessa?

Como nunca estive em Paris, então conclui sozinha que precisava, primeiro, me ambientar e eliminar qualquer sensação de estar perdida. Pra sair do aeroporto escolhi o Transa, do Caetano Veloso. Clássico, atemporal e que me enche de conforto. A voz de Caetano me dá traz segurança, tranquilidade e me deixa mais feliz em qualquer lugar que estiver.

Quando desci do metro e dei meus primeiros passos pela cidade escolhi um dos discos nacionais que mais escutei esse ano, o 'Sinto Muito' da Duda Beat. Apesar do frio de sete graus, tinha um solzinho rolando e eu achei que combinava levar a ideia de um verãozinho pra uma Paris com folhinhas de outono caindo para todo lado. Sentei no Jardim de Tullieres, segui pelo pátio do Louvre, andei pelo Sena, atravessei pontes no ritmo da sofrência da Duda.

Pra visitar os impressionantes no segundo andar do Museu D'Orsay escolhi o Lemonade da Beyonce. Ora pesado, ora levinho, ora cheio de segundas intenções. Igual os quadros nas paredes com garotas pintadas com cores diferentonas e meio borradas.

Sai do Museu com um sorriso na cara em direção ao cartão postal mais clichê de Paris. Pra andar até a Torre Eiffel fui de Vampire Weekend. No caminho fui ouvindo o Contra, segundo disco da banda, meu favorito. Horchata, White Sky, Holiday, California English, cheguei no repeat de Giving up the Gun. Sentei no banquinho, brinquei com as folhinhas, sorri pra umas crianças e fiquei admirando as redondezas com Ezra Koenig e Rostam Batmanglij cantando calminhos no meu ouvido 'He was a diplomat's son, it was '81'.

Na hora de me despedir e correr pro aeroporto pra seguir meu caminho até Berlim, onde estou agora escrevendo esse texto, resolvi continuar com os vampiros e fui ouvindo o primeiro álbum. Quem me conhece sabe que Vampire Weekend é uma das minhas bandas favoritas da vida e esse disco de 2008, um dos melhores anos da vida pra mim, tem gostinho especial de amor.

Uma música boa atrás da outra até o adeus com Walcott. É assim que o grupo sai do palco nos seus shows com a faixa sendo sempre a última do setlist deles e achei que seria poético se fosse a última da minha gig na França também. Olhando o sol ir embora, observando a rotina dos parisienses pela janela do trem, já nostálgica da minha própria vida que me levou até ali, fui sentada no metro dando tchau pra Paris e cantando baixinho e feliz 'Don't you know that it's insane?'

E foi mesmo.